O outro lado da Depressão e o Poder da Vulnerabilidade

 

Há uma pobreza na língua portuguesa e nas demais, quando usamos a palavra depressão.

Como definir exatamente o que alguém sente quando chega o outono ou o que desencadeia o desejo de pôr fim à sua existência?

 

O que é, exatamente, esse estado que teima em tirar-nos a garra e nos conduz a um limbo de total falta de esperança e conformismo?

 

Sinto que já vivi duas vidas, onde existiu uma outra versão de mim intermitente. Essa outra versão começou a manifestar-se muito cedo, mais precisamente aos 21 anos, com o meu primeiro episódio de depressão. Recuperei passado 1 ano e voltei a ter episódios intermitentes mais leves ao longo dos anos seguintes.

 

O último foi há 6 anos atrás e foi essa depressão que mudou a minha vida de uma forma radical e, acredito, sem forma possível de retorno.

 

Esta é a minha história e o que se segue foi o que resultou, para mim, na minha unicidade e complexidade.

 

O que aconteceu de diferente nessa minha última depressão? Eu não a neguei, mergulhei fundo e fui descodificando cada ação e reação.

 

Vivia sozinha nessa altura e apercebi-me que quando os meus filhos estavam longe durante uma semana, o vazio que eu sentia era excruciante.

 

Um vazio misturado com raiva, solidão, medo, agressividade e tristeza profunda. Eu não queria sentir, até ali, andava entorpecida.

 

Nós não gostamos de sentir este tipo de emoções, e então procuramos a fuga. A minha fuga foi os famosos anti-depressivos que se revelaram um autêntico desastre.

 

Custa-me aceitar que a nossa Ciência ainda se encontre, de uma maneira geral, numa fase tão primitiva para curar a depressão.

 

A mente mente, e, na depressão, berra-nos aos ouvidos diariamente “verdades” delirantes: “Eu não tenho saída”, “Eu não sou capaz”, “Não vale a pena”, “É impossível fazer diferente”, “Eu não valho nada”.

 

Mais do que uma doença, é a visão com que vemos a realidade e a nós próprios.

 

Voltando às tais emoções “negativas” que senti, eu não as neguei. Por um lado porque já não aguentava tanta dor, e por outro porque uma parte de mim queria muito ser feliz e livre.

 

Nesse estado aprendi o quão grande pode ser uma emoção e como ela pode ter a capacidade de aniquilar-nos, quando existe uma falha no sistema nervoso e nos conduz à depressão.

 

Fui-me obrigando diariamente a realizar alguma ação que me desse prazer: comer morangos com chantilly; pisar a relva descalça; passear na praia; tomar um banho de imersão; comprar um vestido…

 

Estar disposta a tentar diariamente, estar um pouco menos triste e auto destrutiva, mesmo podendo falhar.

E falhei muitas vezes e voltei a tentar muitas vezes mais.

Tal como um bebé que começa a aprender a andar, consegue um dia, depois de cair e levantar-se muitas vezes e foi essa insistência que permitiu que as suas pernas se tornassem fortes.

 

Permitir-me ter compaixão com quem eu era, tratando-me com delicadeza, permitir-me ser imperfeita; permitir-me aceitar as minhas falhas, os meus erros, a minha vergonha, a minha agressividade para comigo e para os demais e o meu medo de ser rejeitada.

 

Ir aceitando essa parte de mim “menos boa” foi o que me permitiu reconhecer o outro lado, o amor por mim, a alegria, o reconhecimento das pequenas conquistas, a garra e a minha coragem.

 

Nessas ações diárias também comecei a tentar meditar, o que ao princípio não foi nada fácil, e a praticar yoga de uma forma regular. Foi após uma meditação com o professor Marco Peralta que descobri algo que, para mim, foi absolutamente extraordinário e mágico:

 

Finalmente conseguia aceder a um estado de paz e relaxamento profundo!

 

Essa paz já existia dentro de mim e era eu que a conseguia desencadear. Se já existia dentro de mim, então eu podia aceder a ela sempre que quisesse!

 

A meditação provoca uma mudança que me leva do estado de conflito interior ao amor, onde não há julgamento e esse é o estado original de cada um de nós. E qual é o mecanismo por detrás desse processo? A mudança de consciência para o Aqui e Agora.

 

É a consciência que eleva a auto estima.

 

A meditação para mim facilitou-me muito essa mudança de consciência a par de um caminho fascinante de auto conhecimento: “Quem sou Eu?”

Tudo começa aqui, descobrires quem realmente és, o que permite também alcançar esse estado de consciência que para mim ficou mais facilitado por causa da meditação.

 

Esta é a minha história e como resultou para mim.

 

Não foi nada fácil sair dos meus estados depressivos até porque eu não os reconhecia na maior parte das vezes. Era uma espécie de entorpecimento dos sentidos.

 

Foi a dor e a busca de respostas de quem eu era que me levou a um profundo amor por mim própria e, consequentemente, a uma mudança de consciência.

 

Então deixo-te aqui esta questão: “Quem és tu?”

 

Sofia Pérez, Coach Holístico

Coach Holístico e Mentoring em Lisboa, Linha Cascais e Sintra, Abrantes

Para que serve o coach holístico? mudar a tua vida, melhorar, atingir metas, sonhos, objetivos, numa abordagem que une todas as tuas facetas quer a nível relacional, familiar, financeiro, profissional e espiritual. ​ Qual é o grande objetivo? Seres mais feliz, descobrires o poder que reside em ti, que é enorme!

Contacta-me para o email: coachsofiaperez@gmail.com

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