Crescer pelos quatro

September 13, 2017

 

Há pouco tempo atrás vivi uma experiência intensa e profundamente gratificante durante 9 dias onde 22 pessoas entre adultos e crianças que não se conheciam, reuniram-se num espaço para viverem umas férias diferentes. Havia algo em comum, a vontade imensa de experimentar algo novo e assim partimos para o desconhecido.

 

O maior de todos os desafios não é amar nos outros o que é perfeito mas sim encontrar nas imperfeições o verdadeiro sentido do amor.

 

Revivi com cada um: pai, mãe, mulher, homem e criança momentos muito felizes e outros profundamente dolorosos e constatei que alguns desses momentos que eu pensava que já tinha esquecido afinal, estavam profundamente tatuados na minha pele.

 

Tudo o que tentamos esquecer e varrer para debaixo do tapete, mais tarde ou mais cedo bate-nos à porta, e nesta vertigem que é a vida, nas trocas e baldrocas da nossa existência, somos apanhados na teia das nossas contradições e desilusões.

Ousarmos sair da teia é um ato de amor por nós próprios e pelos que amamos.

 

E foi no decorrer dessa viagem de 9 dias que fui escrevendo estas linhas e que, invariável e inevitavelmente, me levou a escrever sobre os nossos Filhos, esses seres fantásticos.

 

Fecho os olhos, para não me esquecer da beleza dos momentos, do que vivi e vivo desde que fui mãe, numa tentativa vã de tocar esse amor desinteressado, maior do que eu, longe da posse e do utilitarismo.

 

Não há cartilhas ótimas para ensinar os pais a educar um filho, é o amor e a fé que nos move diante do conhecimento que cada um tem. Cada filho é único, e é através deles que descobrimos de que espinha dorsal somos formados.

 

Ficamos perdidos quando sofrem e a felicidade não cabe em nós quando nos abraçam. A que sabem as tuas lágrimas quando choras? Trocamos por um instante para me deixares descobrir com que olhos vês o mundo quando acordas? Para eu puder chegar a ti e entender de que são feitos os teus sonhos e que monstros guardas nos recantos da tua alma?

 

Mostramos-lhes o nosso mundo à nossa maneira, com as ferramentas que temos no momento, e vamos nascendo e morrendo e, em cada nascimento, trazemos algo de novo que partilhamos com eles.

 

Partilhamos as tecnologias, a música, as histórias e os filmes de infância, a ciência, as árvores, como se reproduzem as aves, as guerras e as revoluções. Tudo isto para que nada lhes falte.

 

Mas é o amor, é sempre o amor que sabe as respostas e que sabe que para sermos felizes temos de nos construir por dentro. Então, que não nos esqueçamos de lhes mostrar que são os sonhos que nos comandam.

 

Jamais nos esqueçamos de lhes abrir as portas a esse mundo interior onde vive a intuição, onde habitam as emoções que tantas vezes não compreendem, onde vive a criatividade, porque os dons não se aprendem, já lá estão como que por magia, e a sabedoria não se atinge a ler livros mas a viver.

 

Porque só quando vivemos e sentimos na pele é que entendemos o quanto descobrimos de nós. E, em cada descoberta, as certezas que tínhamos de nós, dos outros e do mundo, muitas delas deixarão de fazer sentido e darão lugar à nossa verdade que é diferente para cada um.

 

E chega a doer quando entendemos que temos de aceitar a verdade deles, dos nossos filhos, sem medo de os perdermos ou de nos perdermos de nós mesmos. Porque o medo atrai o que tememos.

 

Se queremos dar o melhor de nós enquanto pais, temos de viver o melhor de nós. Não há hipótese. Se os queremos ver felizes, temos de ser felizes. Se queremos que eles lutem pelos seus sonhos, temos de lhes mostrar que lutamos pelos nossos e que os concretizamos.

 

O equilíbrio é construirmos a nossa vida sem nos anularmos, e, paralelamente, podermos acompanhá-los e apoiá-los no seu percurso. Entre o longe e o perto, para que se sintam capazes de concretizar sozinhos mas sem se sentirem desamparados.

 

Para que, quando eles voarem, não ficarmos vazios e não constatarmos que demos, afinal de contas, pouco de nós.

 

Se queremos que eles cresçam e conquistem o mundo, temos de lhes dar desafios, confiar responsabilidades e impôr limites. Então desafiemo-nos nós, pais, até ao nosso limite. Em cada gesto nosso, ato e palavra, eles absorvem e copiam.

 

Sermos pais em consciência implica primeiro sabermos quem realmente somos. Esta é a maior das aprendizagens. Sermos pais é um caminho sem fim que guarda tesouros extraordinários, desafios tremendos, que questiona tudo, transforma tudo, nos vira do avesso e renova as nossas células, e assim ficamos mais vivos, inteiros e fortes. Porque o que corre nas nossas veias é amor.

 

E, quando lhes perguntarmos “O que queres ser quando fores grande?”, que estejamos preparados para nos questionarmos também: “E eu, em quem me tornei?”

 

Sofia Pérez

 

Coach Holístico e Mentoring em Lisboa, Linha Cascais e Sintra, Abrantes

Para que serve o coach holístico? mudar a tua vida, melhorar, atingir metas, sonhos, objetivos, numa abordagem que une todas as tuas facetas quer a nível relacional, familiar, financeiro, profissional e espiritual. ​ Qual é o grande objetivo? Seres mais feliz, descobrires o poder que reside em ti, que é enorme!

Contacta-me para o email: coachsofiaperez@gmail.com

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