Ser Coerente na Incoerência

July 6, 2018

“Agir de acordo com o nosso discurso” ou Walk the Talk, é uma expressão que remete para as tradições dos índios norte-americanos, uma cultura que vivia o sagrado no seu dia a dia considerando divino tudo o que o cercava: natureza, trabalho, relações e entre outras tantas coisas, a palavra. O poder da palavra e da ação, ou seja, agirmos de acordo com o que pensamos, sentimos e falamos.

 

Esta virtude chamada de coerência é crucial mas não é uma navegação em mar calmo, é mais uma tempestade.

 

Hoje, na rapidez dos dias, do descartável e do politicamente correto e onde estamos constantemente a ser bombardeados por uma avalanche de novas informações ficamos frequentemente à mercê dessa tempestade e por isso mesmo, é imprescindível que a nossa embarcação seja segura.

 

Todo este ritmo frenético a que estamos expostos, leva-nos a uma constante adaptação a desafios, pessoas e ambientes que nos leva muitas vezes a desempenhar diferentes papéis o que desperta em nós múltiplas identidades.

 

Chegamos a desempenhar vários papéis: um no trabalho, outro em casa, outro com os amigos…Tu consegues manter sempre a mesma identidade em todas as facetas da tua vida?

 

Manter a coerência diante de tantas transformações é realmente difícil. Na prática, a coerência é desenvolvida a partir do auto controle, o que requer disciplina. E o auto controle implica necessariamente auto conhecimento.

 

Se não te conheceres e não souberes quem és continuarás a ser arrastado na tempestade, não duvides.

 

Termos bons princípios não chega para sermos coerentes, temos de partir para a ação. Colocar esses bons princípios em pratica é que nos torna coerentes. Exige coragem, persistência, foco e disciplina a pratica da coerência

 

Com isto tudo não pretendo convencer ninguém a ser coerente.

Não me identifico com ditaduras nem com a herança cartesiana, do lógico demais, do sensato demais das cartilhas do como viver, das convenções e dos estereótipos.

Quem se mete a caminho e ousa dar o mergulho que o leva ao resgaste de uma vida plena e livre, sabe muito bem que há planos que se fazem enquanto se caminha e que o destino ainda nem foi alcançado e já há mudança de rotas. E obviamente que nesse caminho surgem, novas informações, novos desafios e naturalmente começam as duvidas e as questões que nos levam a ver a vida de uma outra forma, então, mudarmos de opinião e termos dúvidas é natural e fazem parte do nosso crescimento.

 

Então quando mudamos de opinião já não estamos a ser coerentes? Não é bem assim, cada caso é um caso, neste tipo de situações estamos perante uma coerência adaptativa o que é diferente de ser incoerente.

 

A coerência pressupõe um alinhamento com os nossos valores, ou seja, atuarmos de acordo com os valores que defendemos, que é muito diferente do comportamento do que sobe ao palco e faz o seu show politicamente correto e nos bastidores mostra o seu verdadeiro personagem.

 

Quanto melhor nos conhecermos mais fácil será praticar a coerência em nós próprios e vemos facilitada a tarefa de reconhecermos a incoerência nos outros. Detetar as incoerências nos outros também funciona para nós, com algumas perguntas e observações somos capazes de denunciar as incoerências entre o que se diz e o que efetivamente se faz.

 

O impulso de querermos impressionar o outro para obtermos aquilo que pretendemos, é cairmos na ilusão de que o outro não nos vai descobrir mas mais tarde ou mais cedo, a mascara cai. O que acontece frequentemente é que a distância daquilo que nós podemos dar ou/e queremos obter e o que o outro aceita e aprova, é muitas vezes, deveras grande.

 

Pelo caminho iremos entender que este tipo de comportamento e forma de agir revela que a maior e mais triste incoerência não é com os outros, é com nós próprios.

 

Entender que esse foi o caminho que encontramos num determinado momento da nossa vida para sobrevivermos é imprescindível para podermos dar-nos uma oportunidade de fazermos diferente.

 

Sermos coerentes dá-nos a credibilidade para conquistarmos o nosso espaço e autoridade no mundo.

 

E como somos responsáveis por todas as escolhas que fazemos é importante avaliar como é que a escolha que eu faço hoje vai influenciar determinantemente a minha vida amanha.

Então questiona-te:

  1. O que é verdadeiramente importante para mim?

  2. O que eu quero para a minha vida?

  3. Como quero um dia ser lembrado?

Sofia Pérez

Coach e Hipnoterapia Transpessoal

Para marcação de sessões e mais informações: coachsofiaperez@gmail.com

www.coachsofiaperez.com

 

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