CREARE

A criatividade e a parte criativa do Ser são essenciais para a nossa felicidade. Quantas pessoas saberão isto? Talvez a sensação de vazio que sentem ou a depressão que atravessam estejam ligadas à falta de rasgos criativos.


Então como é que nos podemos tornar mais criativos? Em vez de procuramos a resposta mais óbvia, deveremos experimentar algo novo como, por exemplo: aprender a tocar um instrumento, a pintar, a escrever. Em suma, aprender novas competências.


Mudar de rumo ou experimentar algo novo envolve uma variedade de novos estímulos e desafios que estimulam fortemente a criatividade.


Se formos capazes de sair da nossa zona de conforto e do que nos é conhecido, acabamos inevitavelmente por nos redescobrir das formas mais espantosas. Se é arriscado forçar os limites do conforto? Depende daquilo que estamos dispostos a fazer para vivermos a nossa verdade. Forçar os limites do conforto pode ser arriscado mas também pode ser o mais gratificante.


Mesmo que alguns, apesar de o desejarem, ainda não possam mudar de profissão, paralelamente podem criar outros projetos e desenvolverem-se noutras áreas.


Por outro lado, a criatividade está ligada à inovação, e o nosso cérebro anseia inovar. Anseia por tudo o que é novo e excitante. Ao desenvolvermos processos criativos podemos ver-nos livres da ansiedade, de adições e da "anestesia" que faz com que a vida não avance.


No meu caso, adoro escrever, mas, paralelamente, tenho vindo a desenvolver a paixão pelo desenho e pela dança como formas de testar os meus limites. Por outro lado, o teatro é o veículo perfeito para me deixar desconfortável e é  aquilo que me dá, ao mesmo tempo, a liberdade total de me tornar em quem eu quiser. Para encontrarmos o que resulta para nós próprios, há que forçar os nossos limites entre as coisas familiares e as "estranhas". Se soa mal ou se não gostámos de algo que criámos, então podemos seguir outro rumo.

 

Temos de aprender a ver o "erro" como uma experiência que nos traz a sabedoria para fazermos diferente, e não como um fracasso. Todos corremos riscos. Estamos só a experimentar.


A criatividade, quando expressa por cada um de nós de uma forma genuína, vai-nos retirando o medo de falharmos. Pelo caminho, de repente, apercebemo-nos de que novas e melhores ideias nascem das cinzas dos projetos ardidos.

 

Só poderemos viver esta realidade, se não desistirmos. Quando desistimos corremos o sério risco de nunca experimentarmos a magia da vida. A ideia não é desistir, mas encontrar novas formas para chegarmos ao nosso objetivo, e, para isso, temos de inovar, ou seja, temos de ser criativos.


A criatividade surge-me naturalmente, quando decido quebrar os padrões e as normas. E esta constatação não será novidade para muitos de nós. Pensar “fora da caixa” já não nos basta. E que tal pensarmos como se não existisse “caixa”?


Através do acesso a estados alterados de consciência temos acesso a uma "inteligência “maior” que nos liga diretamente à fonte, ou seja, à nossa essência. Saímos da matriz dos nossos próprios limites, fronteiras, normas, crenças, padrões de comportamento e de tudo o que nos ensinaram e demos como certo. Todas estas formas de conhecimento padronizadas transformaram-nos em retalhos de outras versões. Preocupados com o que pensam de nós, e ocupados por trivialidades, não conseguimos abrir espaço para a criatividade. Na verdade, a criatividade está ligada à natureza profunda do ser, ao  acedermos a essa profundidade e consciência, e entrarmos em ação a partir desse lugar de autenticidade e verdade: a criatividade começa a fluir como um rio.


Podemos experimentar a meditação e técnicas respiratórias para atingirmos esses estados alterados de consciência. E, naturalmente, nesse caminho de descoberta profunda do nosso ser, deixamos de querer agradar aos outros, desapegando-nos assim da ideia do que pensam de nós. Passamos a ser nós próprios. E, de repente, perdemos o medo de errar, pois passámos a vê-lo como uma aprendizagem.


Então, dada a importância da criatividade e a nossa capacidade de a cultivarmos, não nos deveriam ensinar a desenvolvê-la desde crianças? Olhando para o nosso sistema de ensino, podemos constatar que desenvolver a criatividade não é uma questão basilar, muito pelo contrário. Onde é que nós temos a arte e a criatividade expressas em cada disciplina? Não temos… ainda! Nas escolas onde este processo criativo se dá, as crianças desenvolvem-se de uma forma muito única e especial. São-lhes dadas todas as ferramentas para poderem expressar toda a sua singularidade e capacidades sem serem rotuladas com “défices” e “patologias”, e isso potencia-as enormemente.


Tornam-se adultos que pensam como se não existisse a tal “caixa”. Há quem diga que isso seria perigoso, deixarmos de ser “robots”. O que aconteceria ao nosso mundo? Agora, mais do que nunca, podemos em primeira mão observar o que está a acontecer, onde um vírus em março de 2020 fez colapsar tudo o que nos era familiar.

 

Estamos a assistir ao colapso de uma era. De um mundo que se depara com a urgência de intervenção num sistema de ensino que coloca a Matemática e o Português, como as disciplinas mais importantes, em detrimento da educação física, da música, da expressão plástica, rotulando estas, como disciplinas “menores”. Um mundo que colocou a nu as nossas fobias, os nossos medos e traumas.

 

Sabemos que resolver equações matemáticas não nos vai fazer aliviar o stress ou o medo, nem aliviar o vazio. A maioria de nós não sabe lidar com as suas emoções, e hoje este é um dos maiores desafios.

 

Afinal o que nos salva, nestes tempos incríveis, é a musica, a escrita, a arte, a pintura, a dança, o teatro. Todas elas, expressões que resultam de processos criativos e que nos permitem aceder a estados alterados de consciência.


Se não nos foram dadas as oportunidades para desenvolvermos uma mentalidade criativa quando éramos crianças, contudo ainda vamos a tempo. Aliás, vamos sempre a tempo de mudarmos os nossos hábitos e a nossa perspetiva, basta querermos. 


De facto, a criatividade, transforma o mundo e as pessoas e hoje mais do que nunca: salva vidas. É uma das ferramentas mais poderosas que temos ao nosso dispor e que nos empodera para lá do que imaginamos ser possível.


Daqui a 20 anos, ou menos, existirão profissões que ainda não sabemos o nome. À velocidade com que tudo está a acontecer, apanharmos o comboio da criatividade é a forma de podermos tirar partido do que é ser humano: criar e desenvolver algo, qualquer coisa, que nunca tenha existido.

 

Sofia Pérez
Coaching e Hipnoterapia
coachsofiaperez@gmail.com

www.coachsofiaperez.com

 

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